APRENDENDO A APRENDER COLETIVAMENTE

Os desafios do mundo atual têm imprimido uma nova forma de promover a gestão pública. Neste contexto é inevitável que a ação governamental busque se caracterizar pela descentralização, o que requer o envolvimento dos diversos atore políticos, sociais e dos trabalhadores. Tal movimento É FUNDAMENTALMENTE necessário para formular e/ou reformular, e ainda reforçar as possibilidades de tomada de decisões de forma colegiada, proporcionando a todos os atores uma autonomia de ação, a fim de ampliar os espaços de criatividade e ousadia na busca de soluções. O conhecimento, a capacidade e as inteligências individuais e coletivas encontradas no interior das organizações (públicas, privadas, universidades, família, etc.) são entrados nesses espaços privilegiados para a capilarização da construção de múltiplos saberes. É também nas organizações de modo geral que são originadas a ampla escuta do coletivo local, dos diversos sistemas de informação e dos consensos dos múltiplos saberes. Assim sendo, as ações de gestão de bens e serviços de uma organização devem ocorrer no interior das discussões e na totalizada da missão do ente estatal ou das organizações empresarial. Neste sentido, são nestes elementos se equacionam e orientam o funcionamento do processo de estratégias de governabilidade para o desenvolvimento econômico, social e fundamentalmente para a redução das iniqüidades.
A construção do desenvolvimento perpassa pelo planejamento estratégico focada na educação permanente como condição de valorizar a aprendizagem individual, do grupo e fundamentalmente na concretização da construção de novos conhecimentos trazidos no interior da convivência dos atores envolvidos e, neste caso todos devem está comprometidos e envolvidos na missão, nos valores e na responsabilidade da organização.
A opção pela construção do conhecimento torna-se a expressão concreta dada pela dimensão política que envolve a ideologia e missão finalistica do Estado, que é a promoção do bem-estar da coletividade, principalmente na elaboração e implantação de políticas públicas para os segmentos da seguridade social, da educação, da saúde, segurança pública, meio ambiente e a geração de renda e novos postos de trabalho. Quando o coletivo da organização se apoio na interação de seus pares na busca de soluções, cada área do governo rompe a rigidez dos organogramas e possa assumir papéis diferenciados de acordo com a natureza dos problemas em foco, adotando estratégias que variam segundo o cenário político, dos setores produtivos e fundamentalmente em cada comunidade, pois são nestes “lócus estratégicos” que originam as demandas social e econômicas.
Nesta perspectiva, a proposta de construção solidária do conhecimento é focada no ser humano, recursos intrínsecos de qualquer tipo de organização. A sustentabilidade das ações de gestão privada ou dos governos perpassa sempre pelo seu centro gravitacional, ou seja, o coletivo humano. Somente ele e nele que estão todas as perguntas, resposta e fundamentalmente a construção das soluções para todos os tipos de problemas. No interior da natureza humana estão cravado as suas inquietudes na busca incessante por resposta para todas as causas da natureza e do homem. Segundo Starkey, 1997, “a única pergunta tola é aquela que a gente não faz”. Neste sentido, o homem é um caçador nato de resposta e para cada pergunta feita originam-se várias hipóteses e em dado momento encontra-se a resposta verdadeira. Quando esta dinâmica é transportada para a lógica do coletivo onde a produção de resposta é originada pelas experiências aprendidas nos bancos universitários, no chão de fabrica, das demandas sociais e trazidas para o grupo, então aí temos a construção da inteligência organizacional e, por certa a mais rica de todas as inteligências.
Todas as proposituras de desenvolvimento de políticas econômico-sociais se fundamentam no conjunto de informações que garante a importância e confiabilidade no processo de planejamento coletivo. À medida que as informações se consolidam como base e configura como sendo um mecanismo de relevância na gestão, então a dinâmica do planejamento colegiado passa a configurar como sendo a consolidação do conjunto de ações das políticas públicas que demandam a sociedade e são levadas para o interior do governo, e deve ser este o indutor e formentador da construção coletiva das soluções. Neste momento, temos a configuração mais legitima da democracia participativa.
A compreensão da produção do conhecimento coletivo demonstra o quanto o ser humano é fundamental e como ele se liga a todos os movimentos que acontecem, é uma rede permanentemente viva. Também é possível compreender que nenhum recurso tecnológico será mais importante que a ação coletiva da inteligência humana, então será sempre verdade que os sistemas de informação são frutos do conhecimento e das competência humana, inicialmente individuais e fortemente enriquecidas no processo coletivo.
Podemos sinalizar que a educação é a raiz matricial da formação das inteligências individuas e coletivas. Contudo, deve-se ressaltar que mesmo a construção da inteligência individual sempre precede da ação coletiva, pois as socializações dos saberes acontecem de forma colegiada nas famílias, nas igrejas, nas escolas e nas organizações. Faz sentido essa dinâmica nas palavras de Aristóteles como este afirma que “o homem é um animal social e político” e reafirmada na antropologia moderna quando ela nos pontua que a sociabilidade humana é naturalmente o processo de trocas originadas nos símbolos. Então podemos dizer que é singular a capacidade de capilaridade das organizações de agregar múltiplos saberes, costumes, crenças e valores, basta que os dirigentes garantam ambientes propícios para mediar à socialização das trocas e gerar novas e oportunas inteligências.
Gilson Urbano de Araújo – Secretário Municipal de Saúde de Salinas e Consultor em Saúde Pública, Vice-Presidente do COSEMS-MG e Secretário Extraordinário de Financiamento da Região Sudeste do CONASEMS

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